segunda-feira, 30 de março de 2020

1º Série A- Biologia -Profª Rosemary

Turma: 1 A  Biologia

Água e Sais Minerais
Água: o solvente por excelência
É impossível imaginar que possa haver vida sem a água líquida. Nas especulações sobre a existência de vida em outros planetas, um dado fundamental a ser considerado é a disponibilidade ou não de água no estado líquido, condição obrigatória para a vida como a conhecemos.
Por que a água é tão fundamental? Ela é um dos melhores solventes da natureza, pois dissolve uma infinidade de substâncias. Por causa dessa característica, a água é capaz de transportar substâncias tanto dentro das células, quanto entre uma célula e outra. Nutrientes, gases da respiração e excretas se difundem na água e são por elas carregados.
A água favorece também a ocorrência de reações químicas. Isso porque as moléculas as moléculas em solução estão em constante movimento, podendo chocar-se umas com as outras e reagir quimicamente. Para que as reações do metabolismo aconteçam, é essencial a presença de água.
Quando se considera o organismo como um todo, verifica-se que a água tem muita importância na manutenção da temperatura de animais e plantas. De fato, a evaporação desse líquido na superfície do corpo, chamada transpiração, é um dos mecanismos que promovem a redução da temperatura corporal de muitos seres vivos terrestres.
Em geral, quanto maior o metabolismo de um tecido, maior é a taxa de água presente nele.

Atividade
  1. Por que a existência de água líquida é fundamental para os seres vivos? Cite pelo menos dois papéis desempenhados pela água que justificam essa ideia.

  1. Qual é o papel da água nas reações químicas do metabolismo?


sexta-feira, 27 de março de 2020

EJA 1º SA,1ºSB e 1ºSC História Prof.º Paulo Marcos

                                      O GOVERNO GERAL E SUAS REPERCUSSSÕES 

                                         Quando foi implantado o Governo-Geral?
                          O Governo-Geral foi um modelo administrativo que a Coroa de Portugal implantou na América Portuguesa em 1548. Esse governo foi estabelecido a fim de substituir e complementar o sistema de Capitanias Hereditárias, que não havia dado o retorno esperado. O historiador Boris Fausto enumera uma série de fatores que explicam por que o rei D. João III decidiu implantar o Governo-Geral no território que corresponde hoje ao Brasil1. Primeiro, havia o enfraquecimento do comércio com as Índias, o que forçava os portugueses a transformarem o Brasil em um empreendimento lucrativo – papel que, até então, não era cumprido na Colônia. Além disso, as tentativas portuguesas de implantar um império na região do atual Marrocos estavam fracassando. Por fim, os portugueses estavam incomodados com o êxito alcançado pelos espanhóis na exploração da América Espanhola, onde estavam sendo encontradas, inclusive, grandes quantidades de metais preciosos.
                          Considerando todos esses elementos, a Coroa portuguesa identificou a necessidade de alterar a administração da América Portuguesa para transformá-la, de fato, em uma colônia lucrativa. Na década de 1550, as rendas brasileiras correspondiam a apenas 2,5% da arrecadação portuguesa, dado que ressalta a pouca relevância do Brasil para o orçamento português. Os portugueses decidiram, então, centralizar a administração da Colônia. Para isso, criaram o cargo de governador-geral, o qual tinha poderes sobre todo o Brasil. As funções dos governadores-gerais estavam detalhadas em um documento português chamado Regimento
                          Apesar de o governador-geral ter assumido uma série de obrigações que eram dos capitães-donatários, a administração da Colônia não era realizada somente por ele. Entre os outros cargos administrativos criados no Governo-Geral, podemos destacar :
                            # Ouvidor-mor: responsável pelas questões jurídicas e pela aplicação da lei portuguesa na Colônia.
                           # Provedor-mor: responsável pela arrecadação dos impostos e pelo controle do orçamento da Colônia.
                           # Capitão-mor: responsável pelo desenvolvimento das defesas da Colônia, seja contra ataques estrangeiros, seja contra indígenas.
                                                Primeiro Governo-Geral
                     O primeiro Governo-Geral instalado na América Portuguesa foi ocupado por Tomé de Sousa, um fidalgo português que chegou à região da Bahia em 1549, acompanhado por, aproximadamente, mil pessoas. A primeira tarefa ordenada por Tomé de Sousa em seu cargo foi a construção de Salvador em um local estratégico, escolhido pelo próprio governador-geral. O passo inicial para a construção de Salvador foi a retomada da capitania da Baía de Todos os Santos, que havia fracassado sob a administração do donatário Francisco Pereira Coutinho. Em seguida, Tomé de Sousa tratou de estabelecer relações pacíficas com os indígenas da região a fim de viabilizar a construção da cidade, que seria a capital do Brasil. Outra medida tomada pelo governador-geral foi impor a escravização somente a indígenas que eram hostis aos portugueses.
                    Entre as mil pessoas que vieram com Tomé de Sousa para o Brasil, estavam os primeiros jesuítas que se estabeleceram aqui. Ao todo, vieram para a Colônia seis jesuítas, liderados por Manuel da Nóbrega, com o objetivo de catequizar os indígenas e melhorar os costumes da América Portuguesa. A atuação dos jesuítas na catequese dos índios no Brasil seguia a seguinte estratégia: a ordem […] era realizar a conversão com a brandura e bons exemplos de comportamento. A ordem era, também, “adaptar” o catolicismo à cultura local – adequando termos e conceitos à realidade do lugar. Outro fato importante foi a criação da gramática da língua tupi, escrita por José de Anchieta em 1556 para facilitar o trabalho de catequese com os índios. Como parte de sua missão na América Portuguesa, os jesuítas começaram a criar pequenas aldeias, que tinham como objetivo abrigar a população nativa e adequá-la a um estilo de vida europeizado, o que incluía o ensino do catolicismo. Além da construção de Salvador, cidade que foi capital do Brasil até o século XVIII, o governo de Tomé de Sousa também ficou marcado pela criação do primeiro bispado do Brasil, pelo estabelecimento da pecuária na Colônia e pela consolidação da produção de açúcar por meio dos engenhos.
                                  Outros governadores-gerais
                          Após Tomé de Sousa, o Brasil foi governado por Duarte da Costa (1553-1558) e por Mem de Sá  (1558-1572). Durante o governo de Duarte da Costa, os indígenas passaram a ser tratados de forma hostil, e um grande número deles foi escravizado. Essa relação com os indígenas quase colocou a perder o trabalho desenvolvido por Tomé de Sousa. Por isso, no governo de Mem de Sá, foi adotada novamente a política de escravização somente dos indígenas hostis.
O governo de Mem de Sá destacou-se ainda por ter expulsado os franceses que estavam estabelecidos na Baía da Guanabara desde 1555. Nessa região, os invasores franceses, sob a liderança de Nicolas Durand de Villegagnon, haviam fundado a França Antártica. Após a expulsão, os portugueses fundaram a cidade do Rio de Janeiro no local.Em 1572, após da morte de Mem de Sá, a Coroa portuguesa, ainda percebendo inúmeras falhas na administração da Colônia, resolveu dividir a América Portuguesa em dois Governos-Gerais: o Governo do Norte e o Governo do Sul, que tinham como capitais Salvador e Rio de Janeiro, respectivamente.

                                                    Atividade avaliatória de História 
1-Por que Portugal criou no Brasil o Governo-Geral? 
2-Indique as realizações do governo de Tomé de Sousa.
3-Segundo o historiador Bóris Fausto, que fatores levaram o governo português a criar o governo geral? 
4-Relacione o início da colonização do Brasil com a descoberta de metais preciosos na América Espanhola. 
5-O que era o regimento do Governo Geral ?
6-Indique as funções dos seguintes cargos: ouvidor-mor, provedor-mor e capitão-mor. 
7-Que cidade foi a primeira capital do Brasil Colonial ? Que medida o governador Tomé de Sousa tomou em relação aos índios hostis aos portugueses?   
8-Qual era a principal tarefa realizada pelos jesuítas na Colônia? 
9-Qual era a estratégia da atuação dos jesuítas na catequese dos índios? 
10-Qual foi o trabalho importante feito por José de Anchieta ? 
11-Como parte de sua missão, o que os jesuítas começaram a criar? 
12-Que tratamento foi dado aos indígenas durante o governo de Duarte da Costa? 
13-Em 1572, após a morte de Mem de Sá, que medida tomou a Coroa portuguesa em relação à América Portuguesa.      
  
                 ATIVIDADE AVALIATÓRIA DE HISTÓRIA – O CICLO DA CANA-AÇÚCAR NO BRASIL COLONIAL  
                      O ciclo da cana-de-açúcar representa para a história econômica brasileira o segundo ciclo econômico de grande importância, dirigindo os rumos da economia brasileira e portuguesa durante os séculos XVI a XVIII. Também quanto à colonização, esse cultivo foi extremamente importante, uma vez que estimulou o povoamento da colônia e a ocupação de seu vasto litoral. O cultivo da cana-de-açúcar se deu por várias razões favoráveis. O solo do litoral brasileiro é formado por uma composição denominada “massapê”. Esse tipo de solo é mais propício para o cultivo da cana de açúcar. O clima do Brasil também favorecia a planta, permitindo que se desenvolvesse o cultivo em larga escala.
                      Outro motivo importante que levou os portugueses a adotarem a cana-de-açúcar como carro chefe da economia era o alto valor do produto final da cana, o açúcar, no mercado internacional. Privilégio das classes mais altas da Europa, o açúcar possibilitava à ainda iniciante economia brasileira uma grande margem de lucros na exportação para o mercado externo, principalmente europeu. Originário da Ilha da Madeira, território português, o cultivo da cana era praticado por Portugal já há tempos antes de ser trazido ao Brasil. Foi Martim Afonso de Souza que trouxe ao país as primeiras mudas de cana de açúcar para experimentar cultivá-la aqui, seguindo o preceito de Pero Vaz de Caminha, que dizia que “aqui se plantando, tudo dá”.
                     O cultivo se iniciou em São Vicente, em 1533, quando o primeiro engenho foi montado. Logo se percebeu o sucesso do cultivo, a boa adaptação da planta ao ambiente brasileiro e o modelo de exploração da cana de açúcar se espalhou pelo litoral brasileiro. O pioneirismo coube ao Nordeste, principalmente as regiões de Pernambuco e Bahia. Nesses locais, os engenhos se espalharam e obtiveram grande crescimento econômico.
                    Além de contar com um ambiente propício, outros fatores também foram importantes para o sucesso da economia açucareira. Com a localização privilegiada dos engenhos, próximo à costa, havia uma óbvia vantagem logística, pois a produção, o escoamento e exportação do produto eram feitos de modo rápido e eficiente. Todas essas vantagens e o crescimento rápido desse ciclo econômico transformaram a cana-de-açúcar na base econômica de Portugal nos séculos XVI e XVII. Para trabalhar no cultivo da cana, os colonos portugueses fizeram tentativas de uso de mão de obra indígena nativa, feita escrava. Com o fracasso desse modelo, por variados motivos, os portugueses recorreram ao comércio e à escravidão de africanos.
                   Com a nova mão de obra, a sociedade colonial estava formada. A sociedade colonial era assim organizada: dentro do engenho, acima de todos, havia o dono de engenho, proprietário da terra, dos meios de produção e da mão de obra. Abaixo dele, os feitores, que cuidavam da produção e garantiam o trabalho efetivo dos escravos. Havia também trabalhadores livres que visavam suprir toda a demanda por outros produtos que mantivessem a subsistência da colônia, num sistema de diferentes culturas de produtos essenciais. O espaço do engenho, em geral, era dividido entre a Casa Grande, lar do senhor de engenho, de sua família e de alguns criados; a senzala, onde ficavam os escravos, um prédio adjacente, muitas vezes sem as mínimas condições de habitação; a capela, onde se faziam os ofícios religiosos, importantes à época e a moenda, local onde a cana era devidamente moída e onde eram produzidos o açúcar e os demais produtos derivados da cana. 
                      Vale destacar que os holandeses financiaram a montagem dos engenhos no Brasil e, devido à lucratividade do comércio do açúcar na Europa, os holandeses compravam todo o açúcar bruto do Brasil, refinavam o produto e revendiam-no no mercado europeu. Devido à problemas políticos na Europa, os holandeses invadiram o Brasil a partir de 1630. Sob o patrocínio da Companhia das Índias Ocidentais Holandesas, os holandeses controlaram uma faixa de terras do litoral do Nordeste que se estendia do Sergipe ao Maranhão e por aqui ficaram entre 1630 e 1654.      

Questões: 

1-Indique a importância econômica do ciclo da cana-de-açúcar para a história econômica do Brasil. Quanto à colonização, por que esse cultivo foi importante? 

2-Qual era o nome do tipo de solo favorável ao cultivo da cana? Que outra condição natural também favoreceu o cultivo da cana ? 

3-Qual foi o outro motivo que favoreceu o cultivo da cana no Brasil ? O que o açúcar possibilitava à ainda iniciante economia brasileira ? 

4-De onde o cultivo da cana era originário e quem trouxe esse mesmo cultivo para o Brasil ? 

5-Em 1533, onde teve início o cultivo da cana no Brasil ? Em quais regiões do Nordeste os engenhos de açúcar se espalharam ? 

6-Que outros fatores também foram importantes para o sucesso da economia açucareira? 

7-Como a sociedade colonial era organizada?    

8-Como o espaço do engenho era dividido? 

9-Indique o papel dos holandeses nos negócios do açúcar.

10-Por que os holandeses invadiram o Nordeste brasileiro. Quais foram as áreas que eles conquistaram e qual foi o período em que eles permaneceram aqui ?     






EJA 2º SA, 2ºSB e 2ºSC -História Prof.ºPaulo Marcos

                            A IMPORTÂNCIA HISTÓRICA DA REVOLUÇÃO FRANCESA 
                          No caso de 14 de julho de 1789, o episódio é daqueles de maior importância para a História e influencia até hoje a nossa maneira de pensar e viver. Não é por acaso que a queda da Bastilha Saint-Antoine, marco do início da Revolução Francesa, inaugura o início da Idade Contemporânea: se hoje vivemos em um regime democrático, em que (pelo menos em tese) todos são considerados iguais perante à lei, agradeça à multidão francesa que se rebelou contra o reinado de Luís 16 e tentou colocar na prática o lema de "Liberdade, Igualdade, Fraternidade". Construída para ser um forte que protegeria a cidade de Paris dos ingleses durante a Guerra dos Cem Anos (que, na realidade, durou 116 anos, entre 1337 e 1453), a Bastilha se tornou uma prisão contra os inimigos do rei e do regime monárquico. Era como um Game of Thrones da vida real: durante séculos, o rei tinha o controle de todas as decisões econômicas e políticas e era sustentado ideologicamente pela Igreja — a nobreza, dona de terras e de títulos que mantinham os seus privilégios passados de pai para filhos, dava apoio político e militar ao regime. Para a  esmagadora maioria da população, restava trabalhar, pagar impostos e sustentar esse insustentável modelo produtivo.
                         Antes de reclamar que você também paga impostos em excesso e as coisas não são tão diferentes daquela época, alto lá. Afinal, mesmo sendo donos de negócios que rendiam dinheiro por meio do comércio e da produção de bens, os empresários daquela época (conhecidos como burgueses) não contavam com direitos políticos e pouco influenciavam nas decisões do país — na prática, eles sustentavam a economia, mas dificilmente alcançariam os mesmos privilégios da nobreza. Já para o grosso da população, formada por camponeses e trabalhadores nas cidades, a situação era ainda pior: em condição de pobreza, ainda eram obrigados a pagar pesados impostos em nome do rei e da Igreja. Para piorar, o aumento populacional não acompanhou a produtividade agrícola e, no final do século 18, a fome atingia os mais pobres que viviam em Paris. Inspiradas pelos ideais iluministas, que questionavam o poder ilimitado do rei e da Igreja, as insatisfações sociais se materializaram no dia 14 de julho. Não há um registro histórico exato para o estopim da revolta — fontes afirmam que a população se mobilizou após boatos de que o Exército Francês atacaria a população — mas uma massa de descontentes se concentrou em frente à Bastilha, rendendo seus guardas e tomando as armas que se acumulavam na fortaleza.
                         A partir daí, um regime sustentado por séculos começaria rapidamente a ruir: os burgueses dariam apoio econômico e político ao movimento revolucionário e o rei Luís 16 se viu obrigado a convocar uma Assembleia Constituinte — uma das primeiras medidas assinadas foi a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, que universalizaria os direitos sociais e até hoje inspiram as constituições de países democráticos de todo o mundo. O fim do regime absolutista não diminuiu os descontentamentos populares: ao longo do final dos últimos anos do século 18, a Revolução Francesa passou por diferentes etapas, incluindo um momento de maior radicalização, quando os "inimigos do povo" enfrentaram as guilhotinas: em 1793, aos 38 anos, o próprio Luís 16 perderia a cabeça diante de uma multidão em Paris. O próprio calendário francês deixaria de seguir as orientações da Igreja Católica e os meses seriam batizados com nomes inspirados nas condições climáticas como "brumário", "nivoso", "ventoso", "germinal" e "frutidor". Era o calendário revolucionário francês. 
                        O período de violência e as disputas internas entre o movimento revolucionário levaria a novas instabilidades políticas. A burguesia, então, apoiaria um jovem general que conquistara vitórias militares e parecia ser o homem certo para solidificar a nação. Em nove de novembro de 1799, Napoleão Bonaparte (que, ao contrário do senso comum, não era tão baixinho e media quase 1,70 metros) chegaria ao poder e encerraria o período revolucionário, retomando inclusive a autocracia do período real, mas dando privilégios para a burguesia que o apoiou. A burguesia e o Exército apoiaram Napoleão Bonaparte porque queriam um governo forte que restabelecesse a ordem e transformasse a França em um país poderoso na Europa. 

1-Indique a importância histórica da Revolução Francesa e o lema dela. 

2-O que era a Bastilha? 

3-Antes da Revolução Francesa, como o rei governava o país e quais os grupos sociais que o apoiavam? 

4-Descreva como viviam os burgueses e os camponeses. 

5-O que as ideias iluministas questionavam ? 

6-Indique a importância da Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão? 

7-O fim do regime absolutista diminuiu os descontentamentos populares? Explique. 

8-O que aconteceu com o rei Luís 16 (XVI) ? 

9-Indique os meses que compunham o calendário revolucionário francês. 

10-Por que a burguesia e o Exército apoiaram Napoleão Bonaparte?  

                                     ATIVIDADE AVALIATÓRIA DE HISTÓRIA – O PERÍODO JOANINO 
                 A chegada da família real portuguesa no Brasil marcou intensamente os destinos do Brasil e da Europa. Pela primeira vez na história, um rei europeu transferia a capital de seu governo para o continente americano. Escoltados por embarcações britânicas, cerca de 10 mil pessoas fizeram a viagem que atravessou o oceano Atlântico. Sofrendo diversos inconvenientes durante a viagem, os súditos da Coroa Portuguesa enfrentaram uma forte tempestade que separou o comboio de embarcações. Parte dos viajantes aportou primeiramente na Bahia e o restante na cidade do Rio de Janeiro. Como se sabe, as Guerras Napoleônicas forçaram a transferência do governo português de Lisboa para o Rio de Janeiro, visto que Portugal era o principal aliado da Inglaterra.  Responsabilizados por escoltar a Família Real e defender as terras portuguesas da invasão napoleônica, os ingleses esperavam vantagens econômicas em troca do apoio oferecido. Já na Bahia, D. João, orientado pelo economista Luiz José da Silva Lisboa, instituiu na Carta Régia de 1808 a abertura dos portos a “todas as nações amigas”. Historicamente, a medida encerrava o antigo pacto colonial que conduziu a dinâmica econômica do país até aquele momento.
               Além de liberar o comércio, essas medidas trouxeram outras importantes consequências de ordem econômica. O contrabando sofreu uma significativa diminuição e os recursos arrecadados pela Coroa também aumentaram. Ao mesmo tempo, os produtos ingleses tomaram conta do país, impedindo o desenvolvimento de manufaturas no Brasil, as cidades portuárias tiveram notório desenvolvimento. Dois anos mais tarde, o decreto de 1808 transformou-se em um tratado permanente. No ano de 1810, os Tratados de Aliança e Amizade e de Comércio e Navegação, fixaram os interesses britânicos no mercado brasileiro. Foram estabelecidas taxas alfandegárias preferenciais aos produtos ingleses. Os produtos ingleses pagavam taxas de 15%, os portugueses de 16% e as demais nações estrangeiras pagariam uma alíquota de 24%. Além desses valores, o tratado firmava um compromisso em que o tráfico negreiro seria posteriormente extinguido.
              Além de trazer transformações no jogo econômico, o governo de Dom João VI empreendeu outras mudanças. Adotada como capital do império, a cidade do Rio de Janeiro sofreu diversas modificações. Missões estrangeiras vieram ao país avaliar as riquezas da região, a Biblioteca Real foi construída, o primeiro jornal do país foi criado. Além disso, novos prédios públicos foram estabelecidos. A Casa da Moeda, Banco do Brasil, a Academia Real Militar e o Jardim Botânico foram algumas das obras públicas do período joanino. Nas questões externas, Dom João VI empreendeu duas campanhas militares nas fronteiras do país. No ano de 1809, tropas britânicas e portuguesas conquistaram a cidade de Caiena, capital da Guina Francesa. A manobra, que tinha por objetivo agredir o governo francês, colocou a região sob o domínio do Brasil até quando o Congresso de Viena restituiu a região à França. No ano de 1817, as tropas imperiais invadiram a Província Cisplatina. Essa nova investida militar era importante por razões diversas. Além de ser uma região de rico potencial econômico, o domínio sob a região da Cisplatina impedia uma possível invasão napoleônica às colônias da Espanha, que havia sido dominada pelas tropas francesas. Dez anos depois, um movimento de independência pôs fim à anexação da Cisplatina, dando origem ao Uruguai. Em 1815, a administração joanina elevou o Brasil à condição de Reino Unido.
                    Essa nova nomeação extinguiu politicamente a condição colonial do país. Inconformados, os lusitanos que permaneceram em Portugal se mostravam insatisfeitos com o fato do Brasil tornar-se a sede administrativa do governo português. Foi quando, em 1820, um movimento revolucionário lutou pelo fim da condição política secundária de Portugal. A chamada Revolução do Porto criou um governo provisório e exigiu o retorno de Dom João VI a Portugal. Temendo a perda do seu poder, Dom João VI foi pra Portugal e deixou o seu filho, Dom Pedro I, como príncipe regente do Brasil. Os revolucionários, mesmo inspirados por princípios liberais, exigiram a volta do pacto colonial. No Brasil, as repercussões desses acontecimentos impulsionaram a formação de um movimento que possibilitou a independência do Brasil.

Questões: 

1-Indique a importância histórica da chegada da Família Real Portuguesa ao Brasil. Que dificuldades a comitiva que acompanha a Família Real Portuguesa sofreu? 

2-Que fato provocou a transferência do governo português de Lisboa para o Rio de Janeiro? Que país era o principal inimigo da França napoleônica? 

3-O que a Carta Régia de 1808, assinada na Bahia, decretou e o que ela representou historicamente? 

4-Indique as consequências que a Carta Régia de 1808 trouxe. 

5-Que vantagens os tratados de 1810 deram aos produtos ingleses no Brasil ?     

6-Cite três outras realizações do governo de Dom João no Brasil. 

7-Nas questões externas, que território francês foi invadido por tropas do Brasil? Por que a Província Cisplatina foi invadida pelo Brasil e, mais tarde, que país surgiu nesse território? 

8-O que a Revolução do Porto exigiu ? Quem assumiu o governo do Brasil e quais repercussões desse fato para o Brasil?